o rompimento de um vínculo inerente à existência
João Borba diz que o idoso tem tempo, experiência e maturidade para pensar na vida sem se deixar iludir, seja por coisas passageiras ou repetitivas do dia-a-dia. Considero isso uma dádiva, a arte de não se iludir, quem não queria isso? Mas aí você tem que envelhecer. Quem quer envelhecer? Não sei, mas nós somos novos de mais para se importar e um dia estaremos velhos de mais para negociar lembranças.
Blaise Pascal diz que tudo o que se faz no dia-a-dia – tarefas e atividades – no fundo são “divertimentos” superficiais, tentativas de “divergir” desse vazio insuportável e de se dispersar em diversas direções para não precisar encará-lo. Sinceramente eu gosto do vazio, ele tem sido muito gentil comigo, mas quando eu ficar velho e não poder fazer mais o que faço, como é que vai ser? Eu vou ter que enfrentar as coisas sozinho? Sozinho e perseguido pelas incertezas porque esse vazio, essa sombra assustadora e inevitável, permanece um enigma sempre em aberto e cada vez mais próximo.

2 Comentários:
sabe esse vazio? esse que nos acampanha pra a gente ter sempre a certeza de que estamos sozinhos? esse mesmo!
prentendo envelhecer só pra encara-lo frente a frente, como deve ser!
como deve ser?
como será?
Arrocha tchê!
Ô, meu caro. É assim mesmo, o tempo não piora, ele só aumenta o contraste!
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