Desse lado

você não vê o sapo

terça-feira, 25 de novembro de 2008

a poção que nos deixa mais sóbrios

O tempo é simultâneo, uma jóia intricada que os humanos insistem em enxergar um lado por vez, embora a estrutura inteira seja visível em todas as facetas. Como nossas almas.

Falaram-me outrora que o diabo anda comprando almas na feira sem jamais se perguntar o por quê. Acho que ele não precisa de almas. Ele já tem sua personalidade formada, não precisa de mais complementos, nós já fizemos isso para ele. Poderíamos ter feito a personalidade do capeta? Estranho pensar por esse lado. Acreditando que dentro de nós há um deus e um diabo pode chegar a conclusão que de maneira indireta acabamos fazendo a personalidade das outras pessoas. Que estranho. Lembro de ter visto algo mencionado sobre isso na obra de Júlio César que dizia ser impossível você não se tornar o que as pessoas acreditam que você seja. Somos tão superficiais assim? E como alguém pode comprar uma alma? A verdade é que não se pode. Ela pertence a nós mesmos e se odiamos por ter que enfrentar isso. Acabamos sendo forjados por nossos semelhantes. E o capeta? Deve estar lá no inferno esperando sua visita superficial.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Urgência de sobrevivência e pelos interesses imediatos

Eu me indagava sobre o sentido de tanta labuta. O propósito do esforço sem fim, que leva a NADA, deixando as pessoas vazias e desiludidas... Tristes e alquebradas. Mesmo já sabendo o que as pessoas eram por trás de todos os subterfúgios, mentiras para si mesmas. Com vergonha da humanidade.

O cheiro forte de gordura humana vêm através da brisa noturna. A escuridão fria e sufocante prossegue eternamente, e nós estamos sozinhos, vivemos a vida, sem nada melhor para fazer. Depois inventamos razão. Nascemos do vazio, temos filhos, condenados ao inferno como nós, voltamos ao VAZIO. Não existe mais nada. A existência é aleatória. Sem padrão a não ser o que imaginamos depois de contemplar tudo por muito tempo. Sem sentido a não ser o que escolhemos impor.

O mundo desgovernado não é moldado por vagas forças metafísicas. Não é Deus quem mata as crianças. Não é o acaso que as trucida nem é o destino que as dá de comer aos cães. SOMOS NÓS. Só nós. É como se o contato contínuo com os elementos mais cruéis da sociedade o tivesse tornado pior do que eles, mais cruel. Os elementos mais cruéis somos nós. Quem seria mais cruel do que nós mesmos?

domingo, 9 de novembro de 2008

Onde está a essência que era tão divina?

A superfície da água tinha consistência de pedra sob meus pés. As profundezas do oceano recusavam-se a me tragar. Que nova tortura será esta? eu estava sobre o mar sereno. um messias sepulcral impossílitado de afundar no nada que tanto almejava. Quando cessaria meu tormento? quando a morte se dignaria a me convocar? teria sua terrível sombra se esquecido de min? Acostumado a uma paisagem verde-chumbo, minha mente não pôde de início captar o significado deste banco de areia dourado e sólido. Minha jornada chegava ao fim, mas que jornada? e qual fim? só perguntas.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

o rompimento de um vínculo inerente à existência

João Borba diz que o idoso tem tempo, experiência e maturidade para pensar na vida sem se deixar iludir, seja por coisas passageiras ou repetitivas do dia-a-dia. Considero isso uma dádiva, a arte de não se iludir, quem não queria isso? Mas aí você tem que envelhecer. Quem quer envelhecer? Não sei, mas nós somos novos de mais para se importar e um dia estaremos velhos de mais para negociar lembranças.
Blaise Pascal diz que tudo o que se faz no dia-a-dia – tarefas e atividades – no fundo são “divertimentos” superficiais, tentativas de “divergir” desse vazio insuportável e de se dispersar em diversas direções para não precisar encará-lo. Sinceramente eu gosto do vazio, ele tem sido muito gentil comigo, mas quando eu ficar velho e não poder fazer mais o que faço, como é que vai ser? Eu vou ter que enfrentar as coisas sozinho? Sozinho e perseguido pelas incertezas porque esse vazio, essa sombra assustadora e inevitável, permanece um enigma sempre em aberto e cada vez mais próximo.