Desse lado

você não vê o sapo

quinta-feira, 28 de maio de 2009

O garoto...

Um garoto ouvia miados enquanto assistia a algum programa sobre ufologia, se perguntava da onde poderia vim, ficou intrigado por minutos, mas não tivera coragem de levantar-se. Continuou o miado até que de súbito a coragem apareceu e ele foi até a porta de sua residência e percebia o miado vindo de uma árvore exuberante e garbosa que fica quase na frente de seu portão, mas não virá o gato, ou qualquer outro animal que emitisse um miado. Poderia ser um et, nunca se sabe. Voltou-se ao seu programa sobre objetos não identificáveis, o qual acabara de encontrar um, mas esse sem provas concretas. O miado continuou, então ele resolveu sair numa ferocidade indizível. Ele o encontrou, o gato, não o et, estava no topo de uma árvore longa, estava sobre galhos finos e esses com espinhos, parecia indefeso e o seu miado era de socorro. O garoto não soube o que fazer. Estava alto de mais, tentou dar uma desses gênios de seriados que desenvolvem um plano ótimo em segundos, percebeu que não era bem assim, precisava mesmo era de mais coragem e de uma escada, a segunda já a tinha, a primeira veio ligeiramente. O espírito selvagem se libertou por alguns minutos, ele gostou da sensação. Foi difícil subir na arvore, mais difícil foi ficar lá com as formigas o mordendo por toda a parte e ainda assim tinha que se posicionar para que o menor número de espinhos possíveis não o acertasse. Enquanto estava na árvore, lá nas alturas, percebeu como era temeroso estar lá e ser tão frágil quanto um gato, enxergou aquele ato como se fosse o gato, surpreendeu-se. Antes achava que gatos só ficavam presos nas arvores em desenhos, no começo até achou engraçado, não depois de enxergar como o tal. O resgate, foi uma coisa mágica, o garoto ficou imóvel encarando o gato e aí estendeu-se ao máximo o seu corpo e seu braço, não se incomodou com os espinhos que espetavam o seu peito, o gato mesmo miando o encarou com uma forte amistosidade e confiança e andou vagarosamente, até chegar o mais próximo possível da mão do garoto, quando chegou o garoto sem se apoiar com mãos, somente com os pés, fez um movimento rápido e sutil, esse segundo para não assustar o gato, e o segurou firmemente. O gato miou, não sabia se estava seguro nas mãos do garoto, mas estava. O garoto o carregou calmamente até a escada, onde se encontrava outro ser, o qual segurara o gato para o garoto descer, mas quando o garoto foi procurar uma posição para descer sentiu dificuldades, como o gato sentirá. O gato já no chão tentou subir na árvore, parecia que tinha entendido que o garoto não conseguia descer, ele queria ajudar o garoto, como uma troca de favores, mas não precisou, o garoto conseguiu descer de frente e o gato o acompanhou. O garoto ficou feliz.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Com fuga, sem tema

Hoje ele havia se deparado com um cachorro que corria livremente, ficou extasiado, ele só corria, só, sem desviar da estrada. Na verdade: desviou; fez uma curva, mesmo assim parecia saber para aonde estava indo, para aonde queria chegar, estava feliz, estava livre. Seguia seu próprio caminho. Logo depois ele havia avistado outro, sob um carro, escondendo-se da chuva que insistia em cair,achou fantástico. Só aí se deu conta que as manchas e as rachaduras das árvores pareciam olhos que o olhava de maneira calmamente amistosa. Elas estavam vivas, mais do que ele, do que eu, mais do que você. Continuou seu caminho, agora sorrindo, na chuva, ensopado.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

O chamado da floresta?

Não, não sou eu, não mais, é você, é ele, é ela, sou eu, estou na dúvida, quem mais? Não sei.

Não irei me funestar, passei três dias entre quatro paredes, oito contando com o banheiro, apenas comigo, da janela vinha o céu fúnebre a me resgatar diante das canções de Chopin, ojerizei-me por horas: minha concentração acabará de ser rompida; voltei ao mundo real. Gosto dele. Do mundo real. Não gosto é de viver somente por ele. Gosto da verdade, não do falso moralismo regido por ele. “Mais que amor, dinheiro e fama, daí-me a verdade(...)”. Estou incomodado, talvez comigo, tenho tendência auto-depressiativas, mas isso não importa, o que eu quero dizer é sobre minha tendência à primitividade, o que eu preciso é de uma paixão sincera comigo e com a natureza, por favor não me privem da natureza, já ando de maneira naturalista e grito para lua, não sou louco, mas temo um dia ser, é uma das coisas que eu temo, a loucura, o que separa a loucura e a sagacidade é uma pequena linha tênue, a qual mal se enxerga, quero um crescimento secreto. Minha nova sagacidade há de me dar aprumo e controle, mas poucos sabemos até experimentar o quanto de incontrolável há em nós.

“Eu gostaria de adquirir a simplicidade, os sentimentos nativos e as virtudes da vida selvagem; despojar-me dos hábitos artificiais, preconceitos e imperfeições da civilização; [...] e encontrar, em meio à solidão e grandeza do oeste selvagem, visões mais corretas da natureza humana e dos verdadeiros interesses do homem(...)”

Como eu quero.

Também quero uma realidade, digo isso como se ela não estivesse aqui, quero algo tangível, mas talvez minha mente nervosa e ansiosa não me permita.

Como eu não quero.

Desculpo-me por escrever com tanta intimidade sobre eu mesmo.

domingo, 24 de maio de 2009

Sem título, sem nada

Não sei se deveria postar, mas já o faço de maneira subconscientemente ativa: levando em consideração um fator x, faço parte de 2% da população, isso não é bom, queria fazer parte dos 98%.
2% é uma coisa tão pequena, tão simbólica, fazer parte disso é tão deprimente, é como se seu destino gostasse da pouca probabiladade, é como ter 1% de chance de morrer e isso de fato acontecer, enquanto você tinha ao mesmo tempo 99% de chances para continuar vivo. É massacrante a distorção que ocorre na minha mente nesse exato momento. Prefiro pensar que no intermédio entre essa vida e a passada optei por isso, para supostamente aprender algo, de fato: aprendo; só vou saber no próximo intermédio entre essa vida e a próxima, ou não.
Mas não é nada grave, nada alarmente, nada preocupante, mas por não ser grave, eu não deveria me importar, mas me importo e me corroí.